quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Quando a inocência acaba


   
Eu tinha um sol. 
Ele iluminava todos os meus pensamentos mais profundos, sabia admoestar como nenhum outro.
   Eu estava aqui embaixo, admirando-o em toda sua magnitude, sonhando alcançá-lo algum dia. Seu ar senil exortava-me facilmente.
   Meus pezinhos infantis seguiam sua trilha, buscavam encontrar vestígios de que estivera por ali.
   Meu sol brilhava sobre um pedestal só para mim.
   Um dia meu sol caiu do pedestal e partiu-se em vários pedacinhos luminosos.
   Eu queria juntá-lo, colar seus cacos e fazê-lo voltar a brilhar para mim como antes. Mas descobri que aquilo não era mais possível.
   Eu só conseguia enxergar seus remendos, a luz não era mais a mesma.
   Foi nesse momento; o véu da fantasia caiu e a realidade ficou à vista.
   Seu brilho imperfeito chegou aos meus olhos e eu percebi como fui ingênua por tanto tempo.
   Meu sol era apenas mais um ser imperfeito como eu.