O primeiro livro que eu li de Jane Austen foi “Orgulho e
Preconceito”, com uma narrativa descritiva, a autora se esforça em detalhar os
sentimentos dos personagens e sua maneira de pensar. Não é diferente em “Razão
e Sensibilidade”. Esse tipo de texto é interessante pois nos ajuda a compreender
os sentimentos mais intrínsecos dos personagens, no entanto também exige
bastante atenção na leitura que conta com longos parágrafos. Mas não é uma
escrita tão rebuscada, que faz com que tenhamos que olhar um dicionário a todo
momento, pelo contrário, ela flui tranquilamente.
Fazia um bom tempo que eu não pegava um livro para ler, no
começo fiquei um pouco entediada, achei que a trama demorou para se desenrolar,
mas com isso foi possível um bom desenvolvimento da personalidade das
personagens principais, e ao ir me envolvendo na leitura, me familiarizando com
as personagens comecei a entender o ponto principal da narrativa de Austen.
A história começa com a morte do patriarca da família
Dashwood, que deixa sua segunda esposa, três filhas (Elinor, Marianne e
Margaret) e um filho do primeiro casamento. No seu leito de morte, o Sr.
Dashwood faz seu filho John prometer que não desamparará suas meias irmãs,
visto que naquela época, as mulheres tinham pouco ou nenhum direito de herança.
O problema começa quando a egoísta esposa de John o induz a pensar que não é necessário dar tanta ajuda a suas meias irmãs, convencendo-o de
que elas podem perfeitamente se virar com pouco e da necessidade deles mesmos se manterem em uma situação financeira agradável. As mulheres Dashwood acabam
indo morar com um parente distante, que demonstra boa vontade em ajudá-las.
Nesse novo local a trama começa a se desenrolar em meio a bailes, jantares,
romances e um razoável círculo de amizade na nobreza inglesa.
Elinor e Marianne, são as filhas mais velhas da família
Dashwood, e suas personalidades se encaixam perfeitamente no título do livro.
Elinor é pura razão, prudente, reservada, pensa muito antes de demonstrar seus
sentimentos, podendo até ser encarada como uma pessoa fria. Marianne é o
oposto, muito parecida com a mãe, é passional e emotiva, demonstra claramente os seus sentimentos, e
acredita que se os sentimentos não são demonstrados, não são sentidos. Apesar
de seus extremos, as irmãs são muito parecidas em outros aspectos: são
inteligentes, generosas e amigáveis.
Ao longo da história fica muito evidente como elas são
opostas, como lidam com o amor, as amizades e as dificuldades que enfrentam de forma diferente,
mas o que mais me tocou na história é que apesar de serem tão diferentes, elas
têm profundo amor e consideração uma pela outra, o que com o tempo as faz se
colocar uma no lugar da outra, resultando em certa medida de equilíbrio para suas
personalidades, amenizando um pouco seus extremos. Uma aprendizagem mútua.
A história me surpreendeu e me envolveu tanto quanto o
primeiro romance que li da autora. Uma história escrita a tantos anos atrás,
mas que traz relatos perfeitamente atuais da personalidade humana, como as
pessoas podem ser egoístas, interesseiras e falastronas, mas também fala sobre
perdão, arrependimento e empatia, além, é claro, do amor.
