Eles vêm voando rápido.
Suas asas negras como a noite tampam a minha visão e me impedem de enxergar a luz que vem do alto.
Eles são barulhentos, seus gritos agudos tomam conta do silêncio e tiram a minha paz.
O farfalhar das suas asas causam um turbilhão, são muitos, e eles parecem brigar entre si. Parece um enxame de abelhas, mas são corvos. Um assassinato deles.
Aves necrófagas, querem me ver sangrar. Comer a minha carne e se banquetear das minhas vísceras.
Eu estou sangrando e não sei como estancar o sangue. O sangramento é interno, ninguém vê, ninguém pode ajudar. Mas eles sentem o cheiro do sangue, por isso voam em círculos sobre a minha cabeça, estão ansiosos.
Preciso me livrar deles para poder ver a luz. A luz que aquece, sara, cauteriza, cura. A luz que vem de cima.
Natália Oliveira
11-09-2025