sábado, 25 de junho de 2016

Resenha - Uma praça em Antuérpia (Luize Valente)



“Uma praça em Antuérpia” é definitivamente um dos livros mais emocionantes que eu já li, sou um pouco suspeita de falar pois histórias retratadas durante a Segunda Grande Guerra são meu ponto fraco. Além de tudo, o fato da autora ser brasileira foi fundamental para aguçar ainda mais minha curiosidade. Mas não foi apenas isso que me encantou e impressionou nesse livro.
A história das gêmeas, Olívia e Clarice, me fez querer mergulhar de cabeça nesse romance histórico tão bem escrito e me fez ficar com um nó na garganta durante a maior parte da leitura.
O livro está dividido em 4 grandes blocos, a primeira parte é bem centrada, nada que tenha me empolgado tanto, mas o mistério que envolvia o final da jornada apresentada logo no início me deixou muito curiosa, queria saber que acontecimentos culminariam naquele fim.
O romance nos leva dos anos 2000 à 1916, em Portugal, onde nascera nossa protagonista. A história de uma vida desde o início marcado pela morte, mostrou a grande possibilidade dos “e se” que a nossa vida pode ser.
Olívia e Clarice sempre foram inseparáveis, até o momento no qual o início da vida adulta as separou pela primeira vez. Olívia fora a primeira a se casar e a se mudar da cidadezinha pequena onde nasceram e viveram. Clarice achava que nunca encontraria um amor como Olívia encontrara. Foi só quando o último laço sanguíneo das gêmeas se foi, Clarice mudou-se para a casa da irmã, em Lisboa, que essa encontrou o amor de uma vida.
Theodor era um pianista judeu comunista, nascido na Alemanha. Estava em Lisboa fugindo dos nazistas, seu primeiro encontro com Clarice foi o suficiente para despertar o amor no coração dos jovens.
Theodor e Clarice viveram sua história de amor, tiveram uma vida feliz em Antuérpia, uma cidade belga onde viviam muitos judeus e lapidadores de diamante. Mas a guerra não tardou em alcança-los no único lugar onde haviam sido realmente felizes. 
À partir daqui, a segunda parte, o romance cria um ritmo acelerado, você não consegue largar as páginas pois quer saber o destino dos personagens, você cria esperanças, expectativas, se solidariza, se revolta, enfim, tem uma outra percepção da guerra.
A Europa estava à beira do colapso, a autora fez questão de dar diversos detalhes referentes ao contexto histórico da época, isso deixou tudo mais autêntico e real. A forma como ela descreve os locais por onde eles passaram, o jeito como ela expressou os sentimentos dos personagens, todas as dificuldades passadas na fuga da família judia imposta pelo “rolo compressor” nazista, faz com que nossos olhos se encham d’água a todo momento.
Vimos como o nazismo e o antissemitismo tomou conta da Europa trazendo sofrimento a tantas famílias, mas vimos também o quanto as pessoas podem ser solidárias quando estão passando momentos de dificuldade, como um gesto amigo pode mudar uma vida.
Mesmo conhecendo o destino dos personagens desde o início, o final do livro me surpreendeu e me fez chorar mais uma vez. O livro não é muito conhecido, mas com certeza bate muitos best-sellers por aí. Leitura recomendadíssima.

por Natália Amaral

domingo, 5 de junho de 2016

Colapso mental

   Minha mente parece estar entrando em colapso, tenho sede de conhecimento e tenho pressa.
   As engrenagens estão trabalhando tão rapidamente que eu sinto com se a capacidade estivesse sendo super utilizada, estou ultrapassando os limites, meus pensamentos estão atropelando uns aos outros. Não consigo ser paciente para aprender uma coisa de cada vez, quero saber tudo ao mesmo tempo, quero o conhecimento de um ancião no corpo de um jovem.
   Quero conhecer o mundo, quero alcançar a lua na velocidade da luz, quero dar a volta ao mundo, conhecer outros costumes, outras línguas, quero um pedaço do mundo dentro de mim.
   Quero encontrar todas as resposta, resolver todos os problemas, saber usar a arte como forma de expressão, quero tocar o coração das pessoas, quero mais do que eu posso alcançar, quero o universo em uma casca de noz. Quero ser livre!