Eu me lembrei daquela dor…
O aço raspando a pele. Para frente e para trás, rompendo preguiçosamente a superfície. Não era para ser rápido, mas longo e doloroso. O objetivo não era acabar com a dor, mas prolongá-la. Faltou coragem para ir fundo. Eu não tive coragem naquela época, muito menos agora. Não era esse o objetivo.
Mas não esqueço a sensação, a dor confortante, confrontando outra dor maior, uma que não era palpável, nem audivelmente explicável. Ninguém entendia. Mas era uma dor para abafar outra dor. Faz sentido?
“Eu vou contar.” - ela disse.
“Eu não vou fazer mais.” - respondi.
Alguém viu, alguém se importou. Isso bastou. Me salvou.
15-02-2026
Natália Oliveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário