terça-feira, 23 de setembro de 2014

Resenha de "O Diário de Anne Frank" (Spoiler Médio)


   Decidi ler esse livro mais pela propaganda feita dele. Conhecido como um dos relatos mais marcantes da perseguição dos judeus pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial, retrata a vida de uma família vivendo confinada em um Anexo Secreto para não serem enviados a campos de concentração nazistas.
   Confesso ser essa uma questão que desperta muito o meu interesse, o holocausto é um assunto muito complexo e mexe profundamente com as emoções e crenças humanas, além de gerar longas discussões até os dias atuais.
   Anne Frank era uma adolescente judia de nacionalidade alemã mas vivia em Amsterdã com a família devido a campanha antissemita do seu país de origem. Ela frequentava a escola e tinha uma vida razoavelmente boa apesar da discriminação dos judeus. Tinha amigas e vários garotos estavam interessados nela, aparentemente era uma garota popular.
   Ela começou a escrever em seu diário quando ainda não precisava se esconder, dessa forma fez alguns relatos de como era a sua vida antes de ir para o Anexo Secreto.


  Mas a vida no Anexo não podia mais ser a mesma de antes, era um total de oito pessoas vivendo escondidas em uma espécie de sótão de um estabelecimento comercial, o escritório onde Otto Frank, pai de Anne, trabalhava. A família Frank, formada por Anne, sua irmã Margot e seus pais Edith e Otto Frank; a família Van Dan, formada por Peter e o Sr. e Sra. Van Dan; e o Sr. Dussel.
   Viver no Anexo Secreto só foi possível com a ajuda externa de amigos não-judeus. Foram os próprios donos do estabelecimento comercial onde estavam escondidos que os ajudaram a comprar alimentos e todas as coisas das quais necessitavam para conseguirem viver escondidos.
   Mesmo assim, a vida no Anexo não era fácil, tudo era motivo de discussão, sem falar dos dias em que precisavam fingir que não estavam lá fazendo silêncio absoluto, não podendo usar o banheiro e coisas do tipo.
   Mas a questão principal era Anne, em seu diário ela descrevia as diversas brigas no Anexo, também os momentos de medo que passavam durante ataques aéreos à cidade e assaltos ao escritório, o que faziam para passar o tempo, como funcionava o racionamento de comida deles e também notícias sobre a guerra que escutavam em um rádio.
   Apesar de estar vivendo em um meio tão complexo, Anne não deixava de ser uma adolescente, dessa forma ela explicita muito seus sentimentos, suas variações de humor e seus pensamentos.
   Fica claro no livro que Anne não tinha muitos laços afetivos com a mãe, mas nutria uma grande admiração pelo pai.
   No decorrer do livro passam-se meses e até anos, e é muito visível o amadurecimento da garota. O surgimento de questões relacionadas a natureza feminina, sexualidade e paixão adolescente vão deixando a leitura cada vez mais interessante.
   A parte ruim é que o diário termina em meio a grandes expectativas, todos estão ansiosos e crentes no final da guerra, Anne faz planos para uma vida pós Anexo Secreto e todos nós sabemos qual é o final da história, está na própria contra-capa do livro.
   Na minha opinião o começo do livro é um pouco chato e repetitivo, pois Anne descreve e reclama muito das discussões e brigas que acontecem no Anexo, mas à partir da metade do livro, momento em que a garota parece dar uma salto de maturidade, tudo começa a ficar mais interessante. Principalmente ao ser acrescentada uma pitada de romance adolescente.
   Anne começa a entender mais as pessoas ao seu redor e a se conhecer melhor. Isso aviva suas narrativas.
   De qualquer forma o livro é muito bom, nos faz refletir sobre vários conceitos que temos, como os de família, de liberdade e principalmente sobre a guerra.
   Recomendo essa leitura! Um exemplar que não pode ficar de fora da lista de um amante dos livros.