quinta-feira, 21 de junho de 2018

Abraços não dados


Quando criança, nós muitas vezes achamos que os adultos são fortes, imunes ao sentimentalismo, a dor.
E aí nós crescemos e percebemos que os adultos também sofrem, choram e precisam de abraços.
Quantos abraços eu deixei de dar em você? Por timidez, por perceber o quão reservado você era, por medo de ser “estranho” abraçar em um lugar onde não era costume fazer isso.
Mas aí eu cresci e percebi que vocês também queriam abraços, então começamos a nos abraçar sempre é no começo foi até estranho, meio tímido, às vezes ainda é, mas agora só consigo pensar nos abraços que podia ter te dado e não te dei.
Agora fico buscando você nas suas coisas, num papel guardado, dobrado, amassado, na sua letra, querendo te conhecer mais, saber mais sobre você.
Nós - filhos, netos - somos um pouco egoístas em pensar que os nossos pais e avós não tiveram uma vida antes de nós. E agora tudo o que eu queria era conhecer mais você.
Sinto saudades todos os dias, não vejo a hora de te encontrar de novo, espero estar lá no novo mundo para que além de sua neta eu possa ser também sua amiga.

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