Quando o coração transborda as folhas em branco não são o bastante. O lápis entre os dedos trabalham rapidamente, minha voz fala alto nesse momento, os pensamentos eu nem sei de onde vêm, preciso externalizar tudo para não sufocar.
Como o auge de uma altercação, as palavras querem ser gritadas, não entendidas, apenas ouvidas.
Quando preciso abrir as comportas da represa a música é a chave, algumas letras e melodias invadem o recinto e logo começam e desfazer todos os nós encontrados pelo caminho.
Então tudo flui como a correnteza do rio, muitas vezes um misto de água salgada com água doce. Tenho o péssimo hábito de me expor chorando, não há controle sobre isso.
Então vou te falar mais um motivo para escrever, solidão. Quando me sinto sozinha tenho a necessidade de conversar com alguém, então eu converso comigo mesma. E que maneira melhor de expressão existe para uma conversa singular?
Reflexão da vida, vai tudo para o papel, imaginação funciona como nunca. Ideias malucas, coisas que nunca irão acontecer, mas no papel tudo pode, o papel tudo aceita.
As vezes aparecem aqueles momentos nostálgicos, todas aquelas lembranças de um tempo passado. Então eu conto tudo para mim mesma, ninguém mais vai pensar como eu, não quero a opinião de ninguém, só preciso contar minhas histórias, relembrar momentos. Perco tempo vendo velhas fotografias, pensando nas escolhas, ouvindo velhas músicas e colocando todos esses sentimentos no papel.
Tudo isso só é importante para mim, só faz sentido para mim.
Natália Amaral