terça-feira, 29 de setembro de 2020

Prisão

Estou presa...

Muitos pensamentos se misturam na minha mente, querendo sair a todo custo, mas não consigo colocá-los para fora.
Sinto-os se amontoando como pilhas de jornais velhos, cheios de notícias.
Mas não são as notícias que eu gostaria de escutar, ou melhor, não são as que eu preciso ouvir.

Dia após dia a minha mente vai se enchendo de informações, vão se aglomerando, se juntando e não percebem estar contaminando, adoecendo tudo a sua volta.
Elas não entendem o significado de distanciamento social, assim como muitos dos que estão a minha volta.

Por dentro e por fora vou adoecendo, eu tento fugir mas estou presa, não só dentro de casa, mas estou presa dentro da minha própria mente, não posso fugir, estou na constante companhia do medo.

Ás vezes desconfio que a minha mente está tentando me ludibriar, tentando escapar de alguma forma, me fazendo esquecer palavras, memórias recentes, como me expressar.

Mas para onde?

Estamos todos presos aqui, sem ter como fugir dessa pandemia, ou pior, sem ter como fugir do declínio social, da ignorância, da falta de senso, da falta de amor, da falta de moral.

Só me resta resistir, por mais um dia... com uma força que não me pertence.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Resenha "Razão e Sensibilidade"

O primeiro livro que eu li de Jane Austen foi “Orgulho e Preconceito”, com uma narrativa descritiva, a autora se esforça em detalhar os sentimentos dos personagens e sua maneira de pensar. Não é diferente em “Razão e Sensibilidade”. Esse tipo de texto é interessante pois nos ajuda a compreender os sentimentos mais intrínsecos dos personagens, no entanto também exige bastante atenção na leitura que conta com longos parágrafos. Mas não é uma escrita tão rebuscada, que faz com que tenhamos que olhar um dicionário a todo momento, pelo contrário, ela flui tranquilamente.

Fazia um bom tempo que eu não pegava um livro para ler, no começo fiquei um pouco entediada, achei que a trama demorou para se desenrolar, mas com isso foi possível um bom desenvolvimento da personalidade das personagens principais, e ao ir me envolvendo na leitura, me familiarizando com as personagens comecei a entender o ponto principal da narrativa de Austen.

A história começa com a morte do patriarca da família Dashwood, que deixa sua segunda esposa, três filhas (Elinor, Marianne e Margaret) e um filho do primeiro casamento. No seu leito de morte, o Sr. Dashwood faz seu filho John prometer que não desamparará suas meias irmãs, visto que naquela época, as mulheres tinham pouco ou nenhum direito de herança.

O problema começa quando a egoísta esposa de John o induz a pensar que não é necessário dar tanta ajuda a suas meias irmãs, convencendo-o de que elas podem perfeitamente se virar com pouco e da necessidade deles mesmos se manterem em uma situação financeira agradável. As mulheres Dashwood acabam indo morar com um parente distante, que demonstra boa vontade em ajudá-las. Nesse novo local a trama começa a se desenrolar em meio a bailes, jantares, romances e um razoável círculo de amizade na nobreza inglesa.

Elinor e Marianne, são as filhas mais velhas da família Dashwood, e suas personalidades se encaixam perfeitamente no título do livro. Elinor é pura razão, prudente, reservada, pensa muito antes de demonstrar seus sentimentos, podendo até ser encarada como uma pessoa fria. Marianne é o oposto, muito parecida com a mãe, é passional e emotiva, demonstra claramente os seus sentimentos, e acredita que se os sentimentos não são demonstrados, não são sentidos. Apesar de seus extremos, as irmãs são muito parecidas em outros aspectos: são inteligentes, generosas e amigáveis.

Ao longo da história fica muito evidente como elas são opostas, como lidam com o amor, as amizades e as dificuldades que enfrentam de forma diferente, mas o que mais me tocou na história é que apesar de serem tão diferentes, elas têm profundo amor e consideração uma pela outra, o que com o tempo as faz se colocar uma no lugar da outra, resultando em certa medida de equilíbrio para suas personalidades, amenizando um pouco seus extremos. Uma aprendizagem mútua.

A história me surpreendeu e me envolveu tanto quanto o primeiro romance que li da autora. Uma história escrita a tantos anos atrás, mas que traz relatos perfeitamente atuais da personalidade humana, como as pessoas podem ser egoístas, interesseiras e falastronas, mas também fala sobre perdão, arrependimento e empatia, além, é claro, do amor.