quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Resenha - O Rouxinol



Eu comecei a ler O Rouxinol por indicação de um amigo. Ele me indicou esse livro pois sabia que eu tinha lido Uma Praça em Antuérpia e tinha amado. O Rouxinol segue a mesma linha de Uma Praça em Antuérpia. Segunda Guerra Mundial como plano de fundo, famílias desfeitas, pessoas lutando para sobreviver em um momento em que o mundo não se importava com nada mais além de comida e um teto para não passar frio. Mas acima de tudo, O Rouxinol é uma história sobre amor e redenção, e como esses sentimentos ficam expostos durante a guerra.
O livro conta a história de duas irmãs francesas, Vianne e Isabelle Rossignol. Com a morte da mãe por uma doença, elas foram enviadas ainda crianças para viver com uma desconhecida no interior, pois seu pai, recém-chegado da guerra (Primeira Guerra Mundial) não conseguia lidar com a morte da esposa e ainda por cima criar duas filhas.
Vianne rapidamente achou um jeito de lidar com a perda da mãe e a ausência do pai, encontrou primeiro na amiga Rachel e depois no marido Antoine a boia que a salva guardava de afundar, deixando assim a irmã de lado.
Já Isabelle, a caçula, não conseguia entender a rejeição do pai e depois da irmã e tornou-se uma rebelde, passou por diversos internatos na França, muitas vezes fugia ou era expulsa. Sempre tentava voltar para a casa do pai, mas ele sempre dava um jeito de mandá-la para longe.
A Segunda Guerra já tinha começado, muitos franceses tinham indo para frente de batalha, porém, os franceses não estavam preocupados, o governo pregava que a famosa linha Maginot – linha de fortificação e defesa construída na fronteira entre a França e a Alemanha – resistiria aos ataques alemães. O inesperado então aconteceu, a linha Maginot ruiu e os alemães invadiram a França.
Paris foi bombardeada e os parisienses logo se viram em um êxodo para o mais longe possível dos alemães.
Em meio a uma guerra cada vez mais perigosa para os franceses, Vianne e Isabelle se viram em uma teia de problemas antigos mal resolvidos, ressentimentos infantis e ideias completamente diferentes do significado de guerra para cada uma delas.
Vianne parecia não conseguir enxergar o que a chegada dos alemães podia significar para o futuro e a segurança de sua família, enquanto Isabelle muito infantil e arredia, não conseguia aceitar que a França cedia à Alemanha, e queria desesperadamente encontrar um jeito de ir à luta.
Isabelle tinha duas opções, usar sua beleza para benefício próprio e se manter segura e alimentada durante a guerra ou usar sua beleza para ajudar a resistência francesa a avançar contra o inimigo.
Durante a ocupação alemã na França, os alemães subestimaram muito a força das mulheres, um país onde a maioria de seus homens fora feito prisioneiros de guerra, que resistência poderia ter contra um inimigo forte como a Alemanha de Hitler?
Mas as mulheres foram as principais colaboradoras para manter a resistência ativa, falsificavam documentos, entregavam mensagens, escondiam pessoas, salvavam crianças.
Isabelle se tornou uma dessas mulheres, uma muito conhecida, aliás, e procurada pelo governo alemão. Com o codinome de Rouxinol, ela ajudava aviadores dos Aliados que caiam em terras francesas a se esconderem e a chegarem em segurança à Espanha, no consulado britânico. Enfrentava frio, fome, dores, tudo para colaborar com a resistência que ansiava e lutava por uma França livre das garras dos nazistas.
Vianne demorou a perceber o mal que a guerra poderia causar, e só entendeu à duras penas, sentindo na própria pele o mal causado pelos inimigos. Viu o quanto a guerra podia destruir a humanidade das pessoas, tornando-as cruéis.
O livro tem um desenrolar muito interessante, descreve bem a arrogância alemã, o sentimento de impotência dos franceses diante dos nazistas, a vontade no peito de franceses querendo lutar pela França, o medo de ajudar outros, o medo de não poder fazer nada, a fome, o frio, as dores. E como sempre, um assunto que não pode deixar de ser abordado em um livro ambientado nesse período: a perseguição dos judeus.
E, além disso, enfatiza o papel da mulher na sociedade, na guerra, no mundo e em seu próprio lar.

Posso dizer que esse livro me deixou com o coração na mão em vários trechos e o final foi surpreendente e emocionante. Valeu muito a pena, a leitura tem fluidez e aquela pitada de curiosidade pelo que acontecerá no próximo capítulo.



Para refletir:
E quer saber por que eu gosto de histórias ambientadas durante a Segunda Guerra Mundial? Porque ao ler essas histórias consigo perceber o que o ser humano tem de pior e também o que tem de melhor. Humanos, dois pratos da mesma balança, um lado capaz de ferir outro da mesma espécie por prazer, ambição ou simplesmente por pura maldade, enquanto que o outro lado tenta ajudar de todas as maneiras, mesmo mal tendo como se ajudar, fazem muito pelo próximo.

Vai entender o que se passa na cabeça de cada um. Hoje, olhando de um momento em que não estamos em guerra, não conseguimos entender como um ser humano pode ser tão ruim com outro. Mas e quando se está em plena guerra? O que você seria capaz de fazer à pessoas que querem invadir sua casa, roubar sua comida, machucar sua família? Quem é amigo? Quem é inimigo? Os alemães são sempre os inimigos na maioria das histórias, mas o que os levou a isso? Que tipo de lavagem cerebral um governo doentio fez na cabeça deles? Será que suas famílias também não sofreram? Quem somos nós para julgar alguém?

por Natália Amaral

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um "programa de índio" maravilhoso

Quem quer falar sobre aquelas experiências magníficas que vivemos da maneira mais inesperada possível?
Eu estava trabalhando, era uma sexta-feira fim de tarde, fim de expediente, e eu estava entrando no ônibus que me levaria do serviço para casa.
Olhei as montanhas, que servem como a vista perfeita para uma fábrica de carros premium off road, e pensei, o que eu vou fazer de bom nesse final de semana? Eu não tinha planos, mas queria fazer alguma coisa inédita.
Foi pensando nisso que eu mandei um áudio no meu grupo de amigos mais próximos perguntando se eles não queriam se aventurar um pouco (fazer um "programa de índio") no final de semana e adivinhem, eles toparam! Expliquei a eles o plano e eles aceitaram de imediato.
Fomos então para a nossa aventura super barata e divertida.
Acordamos às 3 da manhã na madrugada de sábado para domingo, nos reunimos todos na minha casa e fizemos os arranjos necessários para o plano.
Nos dividimos em dois carros e partimos para subir a serra que dá acesso à Vila de Visconde de Mauá. No alto da serra, tem um mirante conhecido como Mirante da Luz, esse lugar possibilita uma visão total da cidade de Resende, localizada no conhecido Vale do Paraíba.
Estacionamos os carros e eu fui logo montar o meu tripé com minha câmera fotográfica acoplada.
Estava muito frio lá em cima, logo todos atacaram os chocolates que tínhamos levado. A escuridão não era total, era dia de lua cheia e tudo estava tão iluminado que não era necessário lanternas e nem nada do tipo.
O céu estava um pouco nublado, mas mesmo assim conseguimos ver as estrelas, coisa muito difícil de se ver da cidade com toda aquela iluminação artificial, mesmo com a lua cheia "atrapalhando" um pouco a luz das estrelas, foi possível apreciá-las. Fiz muitos cliques.



Os meus amigos haviam levado duas lanternas sinalizadoras e não demorou para eles acharem que estavam em uma guerra intergaláctica com seus sabres de luz, ou em um duelo qualquer no mundo bruxo, isso rendeu cliques muito divertidos.



Esporadicamente passava algum carro ou moto na estrada e com certeza deviam achar que estávamos loucos, mas não nos importamos com isso, o clima estava tão bom e divertido.
Quando finalmente o astro principal da nossa jornada começou a aparecer ficamos hipnotizados. A cada minuto passado as cores do céu mudavam, variando em vários tons de laranja, amarelo e azul. Queríamos fotografar cada mudança, cada raio de luz, fazendo dezenas de poses para pegar o melhor ângulo ou a melhor luz.



Ficamos fascinados e gratos por poder presenciar esse momento tão lindo e único que é o nascer do sol, o nascer de um novo dia.
Se todos os dias de nossas vidas pudessem se iniciar com esse sentimento que tivemos o prazer de sentir lá no alto da serra, tenho certeza que todos se sentiriam abençoados em estar vivos cada dia.
Então paramos os cliques por um momento apenas para olhar e apreciar a beleza única de ver a cidade se iluminar completamente.



A luz do sol fez maravilhas nas fotos.



Sentindo-nos satisfeitos e aquecidos, descemos para um saboroso café da manhã em um bike point da Capelinha, lugar onde a maioria dos ciclistas da região frequenta regularmente para tomar um café, fazer um lanche, fazer algum reparo na bicicleta ou apenas encontrar os amigos.
Não sei se foi pelo fato de termos acordado muito cedo e de só termos nos alimentado de chocolate até o momento, mas estávamos muito famintos, o café caiu deliciosamente bem.
Satisfeitos, partimos para o próximo passo do plano, mas no caminho resolvemos parar em um ponto específico para vislumbrar uma paisagem incrível com a serra da Mantiqueira ao fundo. Fizemos mais uns cliques ali.



Seguimos ao nosso destino final, um poço para banho descoberto recentemente pelos aventureiros da região, o Poço das Bromélias. Localizado na Serrinha, alguns metros depois do Camping Clube do Brasil, onde pode-se conhecer também outras diversas cachoeiras.
Paramos os carros ao lado do camping e subimos à pé até uma propriedade privada, onde fica localizado o poço, e quando chegamos lá demos de cara com mais uma maravilha da natureza. Um poço de cores verdes-azuladas, banhado pela luz do sol, a água tão cristalina que era possível ver o fundo e aquela sensação de paz predecessora de lugares assim.



Eu não sabia por onde começar com minha câmera e tripé, queria registrar tudo, mas não conseguia captar a essência do lugar, mas tudo bem, tem lugares que parecem impossível de retratar, eu vou voltar lá para tentar de novo.
O lugar ficou vazio por pouco tempo, logo um grupo grande de ciclistas praticantes de MTB da região chegou e tomou o lugar, maravilhados também com o espetáculo da natureza, cada um tentando se conectar com a natureza do seu próprio jeito. O que pude fazer foi só observar e pedir por mais um momento sozinha naquele paraíso. Sei que isso foi um pouco egoísta da minha parte, mas quem não quer um pouquinho do paraíso só para si?
Enfim, logo outras pessoas chegaram também, e a paz do lugar já não era a mesma. Mas a beleza do lugar ainda permanecia inalterada.
Arrumamos nossas coisas e nos preparamos para partir, nos despedindo do lugar maravilhoso que acabávamos de conhecer, e que não era mais nossa exclusividade conhecer. A única coisa que podemos pedir é para que cuidem bem do lugar, para sempre termos maravilhas como essas perto de nós.
Voltando para casa eu percebi o quão cansada eu estava, mas em compensação, estava muito feliz e louca para ver os registros dessa madrugada-manhã maravilhosa.
E  o que eu aprendi com isso?
Você não precisa gastar montes de dinheiros e estar cercado de muitas pessoas para estar bem. Os melhores momentos estão nas coisas mais simples e nos verdadeiros amigos, pois os que são de verdade, são poucos.
Dar valor a esses pequenos e singelos presentes é o que engrandece a alma. O nascer do sol é uma coisa corriqueira, acontece todos os dias, mas quantas vezes nós paramos para apreciá-lo na sua beleza total? Como nos sentiríamos se não pudéssemos fazer isso nunca mais? Reflita sobre as respostas para essas perguntas e vai perceber que é preciso viver intensamente cada dia.

by Natália Amaral