terça-feira, 27 de agosto de 2013

Listening Pulse



Ouço o som da água correndo num ritmo constante, a luz do sol refletida cega os olhos
O farfalhar das folhas das árvores ao vento dissipam a dor
Mal vejo o tempo passar, meus pensamentos vagam pelo céu, olho a paisagem ao meu redor, mas não enxergo, apenas sinto
Meus pés descalços sentem a areia macia tocá-los como uma luva de veludo, acalma
O céu nublado contrasta com o barulho do mar sem atrapalhar o silêncio da minha alma que descansa
Minha respiração mal pode ser ouvida, busca o ar sem pressa
A mente vazia faz uma viagem pelas ruínas da solidão; as lembranças causam nostalgia, a natureza da minha vertigem
Quando relaxo sinto que posso voar.

15/08/2013
Natália Oliveira

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Com amor



A muito tempo atrás uma menina se apaixonou
Imatura e inconstante foi o começo dessa história
Cheia de ponto-e-vírgula, reticências e sem muita consistência esse amor cresceu
Toda vez que eles se encontravam era impossível não notar a ligação que tinham
E mesmo quando decidiram trilhar caminhos diferentes, se encontraram novamente
Era um sentimento difícil de entender e muito atribulado
Machucava e fazia sangrar, era mal compreendido e muitas vezes até afetava outras pessoas que estivessem tentando se aproximar
Muitos se opuseram e tentaram interferir
Apesar de tudo, ia enraizando e ficava cada vez mais difícil negar
As palavras do coração já transbordavam pela boca
Então sem papas na língua esse amor foi gritado aos sete ventos
Cada um dos dois enfrentando sua guerra pessoa razão X coração
Até perceberem que não havia mais o por quê fugir do que sentiam
Porque quando se encontra um amor que aguentou tanta coisa, não é algo que se deve ignorar.

Natália Oliveira

sábado, 2 de março de 2013

Escolhas na tempestade


   Meus braços pesam tamanha é a força da água os impelindo para trás como se não passassem de gravetos na correnteza.
   Braçadas atrás de braçadas e continuo parada no mesmo lugar.
   O fôlego ruidoso e cansado começa a se sobrepor ao barulho das águas, indiferente a todo resto. Até mesmo ao olhar duvidoso do pássaro negro que espreita agourento e sedento sob o céu cor de tempestade.
   A criatura espera, conhece essa qualidade como ninguém, pois quando o tempo certo chegar, estará pronto e assim poderá se fartar.
   Sufoco um grito quando a dor lancinante do nervo se torcendo na panturrilha assola ainda mais o sofrimento de estar prestes a me afogar.
   Agarro-me ao último fio de esperança que resta para não ser devorada pela criatura... Solto os braços e deixo a força da água me levar por um caminho desconhecido e inesperado.

Natália Oliveira
27-02-13