sábado, 2 de março de 2013

Escolhas na tempestade


   Meus braços pesam tamanha é a força da água os impelindo para trás como se não passassem de gravetos na correnteza.
   Braçadas atrás de braçadas e continuo parada no mesmo lugar.
   O fôlego ruidoso e cansado começa a se sobrepor ao barulho das águas, indiferente a todo resto. Até mesmo ao olhar duvidoso do pássaro negro que espreita agourento e sedento sob o céu cor de tempestade.
   A criatura espera, conhece essa qualidade como ninguém, pois quando o tempo certo chegar, estará pronto e assim poderá se fartar.
   Sufoco um grito quando a dor lancinante do nervo se torcendo na panturrilha assola ainda mais o sofrimento de estar prestes a me afogar.
   Agarro-me ao último fio de esperança que resta para não ser devorada pela criatura... Solto os braços e deixo a força da água me levar por um caminho desconhecido e inesperado.

Natália Oliveira
27-02-13