“Uma praça em Antuérpia” é definitivamente um dos livros
mais emocionantes que eu já li, sou um pouco suspeita de falar pois histórias retratadas
durante a Segunda Grande Guerra são meu ponto fraco. Além de tudo, o fato da
autora ser brasileira foi fundamental para aguçar ainda mais minha
curiosidade. Mas não foi apenas isso que me encantou e impressionou nesse
livro.
A história das gêmeas, Olívia e Clarice, me fez querer mergulhar
de cabeça nesse romance histórico tão bem escrito e me fez ficar com um nó na
garganta durante a maior parte da leitura.
O livro está dividido em 4 grandes blocos, a primeira parte
é bem centrada, nada que tenha me empolgado tanto, mas o mistério que envolvia
o final da jornada apresentada logo no início me deixou muito curiosa, queria
saber que acontecimentos culminariam naquele fim.
O romance nos leva dos anos 2000 à 1916, em Portugal, onde
nascera nossa protagonista. A história de uma vida desde o início marcado pela
morte, mostrou a grande possibilidade dos “e se” que a nossa vida pode ser.
Olívia e Clarice sempre foram inseparáveis, até o momento no
qual o início da vida adulta as separou pela primeira vez. Olívia fora a
primeira a se casar e a se mudar da cidadezinha pequena onde nasceram e
viveram. Clarice achava que nunca encontraria um amor como Olívia encontrara.
Foi só quando o último laço sanguíneo das gêmeas se foi, Clarice mudou-se para
a casa da irmã, em Lisboa, que essa encontrou o amor de uma vida.
Theodor era um pianista judeu comunista, nascido na Alemanha. Estava em Lisboa fugindo dos nazistas, seu primeiro
encontro com Clarice foi o suficiente para despertar o amor no coração dos
jovens.
Theodor e Clarice viveram sua história de amor, tiveram uma
vida feliz em Antuérpia, uma cidade belga onde viviam muitos judeus e
lapidadores de diamante. Mas a guerra não tardou em alcança-los no único lugar
onde haviam sido realmente felizes.
À partir daqui, a segunda parte, o romance cria um ritmo acelerado, você não consegue largar as páginas pois quer saber o destino dos personagens, você cria esperanças, expectativas, se solidariza, se revolta, enfim, tem uma outra percepção da guerra.
À partir daqui, a segunda parte, o romance cria um ritmo acelerado, você não consegue largar as páginas pois quer saber o destino dos personagens, você cria esperanças, expectativas, se solidariza, se revolta, enfim, tem uma outra percepção da guerra.
A Europa estava à beira do colapso, a autora fez questão de
dar diversos detalhes referentes ao contexto histórico da época, isso deixou
tudo mais autêntico e real. A forma como ela descreve os locais por onde eles
passaram, o jeito como ela expressou os sentimentos dos personagens, todas as
dificuldades passadas na fuga da família judia imposta pelo “rolo compressor”
nazista, faz com que nossos olhos se encham d’água a todo momento.
Vimos como o nazismo e o antissemitismo tomou conta da
Europa trazendo sofrimento a tantas famílias, mas vimos também o quanto as
pessoas podem ser solidárias quando estão passando momentos de dificuldade,
como um gesto amigo pode mudar uma vida.
Mesmo conhecendo o destino dos personagens desde o início, o
final do livro me surpreendeu e me fez chorar mais uma vez. O livro não é muito
conhecido, mas com certeza bate muitos best-sellers por aí. Leitura recomendadíssima.
por Natália Amaral

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